Meus poros falaram por mim quando te vi. Meu desespero virou água salgada. Minha alma, meu amor, estava assim como você: pele e osso. E eu já não cabia dentro de mim de tanta tristeza, queria explodir. Quis ir embora antes de você, te encontrar lá em cima ou lá em baixo. Não tem como, ainda estamos aqui no meio termo. Mas tenho certeza que você já visitou lá em cima e lá em baixo muitas vezes!
Não creio que seja possível explicar tanto amor, carinho e vontade de pegar no colo, que eu sinto por ti. Não dá. Assim como não dá para voltar atrás, mendigar algumas moedinhas de novo, mais uma vez vestir algumas fraldas e fazer pela primeira vez passeios de ônibus. Não dá para ir na sua casa todas as vezes que tive vontade e calei meus pés, não dá para te ligar todas as vezes em que senti vontade de apenas dizer que estou por perto e calei meus dedos. Calei minha boca. Não dá.
Peço perdão pela ausência física, pelas preocupações e decepções. Peço perdão pelo que deixei ficar por dizer. Perdão. Mas agora durma, minha querida, descanse que amanhã será um novo dia. Sei que o sol entrará pela janela do pequeno apartamento e dará bom-dia as tuas lindas rugas. Abençoadas rugas.