Com o rosto colado no chão eu faço poças de água quente pedindo a quem quiser ouvir que me ajude a sair dali. Enquanto isso meu hímen retalhado é mexido e remexido por estranhos que insistem em entrar em mim, apesar de mim. E dói. E eu deixo.
Os detalhes sórdidos, do que eu não preciso saber, cortam meus músculos e nervos, como eu costumava cortar a pele fina. Mas os cortes não cicatrizam, e eu perco os movimentos. E eu choro. E eu grito por piedade. Mas não há piedade no homem raivoso, e eu sou violentada brutalmente.
Sangue e esperma se misturam na minha pele marcada e eu vomito. Dá-me náuseas a minha fraqueza. Do outro lado da sala meu telefone toca, e é mais um querendo me foder. Mais alguém que vai e volta quando bem entender e eu tola espero pelo estupro. Eu, boba, me abro para que me arrebentem. Depois cospem na minha cara, me largam, me lavam. De ódio.
E aos poucos a loucura invade o peito e o sofrimento toma conta. Os olhos saltam de tanto chorar e a pele sangra de tanto esfregar. A boceta arde. E a cabeça vira pó.