Me sinto presa dentro dessa fumaça que essas bocas sem rugas soltam. As palavras que saem por esses lábios novos desaparecem no ar com a mesma rapidez que o futuro câncer que eles assopram na direção dos anjos evapora.
Prendi-me porque quis. Dei meus pulsos e pernas para que me amarrassem, assim cresço aprendendo a me soltar. Mas ainda não sei. As cordas marcam meus pulsos e aquela fumaça incomoda meus olhos, assim não posso relatar o que vivo nem com imagens nem com palavras. Me impedi de dar passos.
Agora já não tenho mais forças e meu pulmão está cheio de fumaça. Me falta o ar. Sei que vou sucumbir pois é a vontade de Deus, essa entidade única que vive em mim e compõe meus pecados. Mas peço, como último desejo de prisioneira, que cortem as cordas das minhas mãos. Preciso tocar a morte no rosto, olhar sua falta de olhos e beijar sua boca fria como meu primeiro e último ato de amor.